quinta-feira, 14 de maio de 2026
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Leishmaniose canina: prevenção sem vacina em 2026

Com a vacina Leish-Tec ainda suspensa pelo MAPA, entenda como proteger seu cão da leishmaniose visceral com coleiras, repelentes e diagnóstico precoce.

Dra. Mariana Tessari 5 min de leitura
Cachorro de porte médio usando coleira repelente contra flebotomíneos em quintal arborizado
Cachorro de porte médio usando coleira repelente contra flebotomíneos em quintal arborizado

TL;DR

  • A Leish-Tec, única vacina contra leishmaniose visceral canina (LVC) licenciada no Brasil, continua com fabricação e venda suspensas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) desde 2023, sem previsão pública de retorno.
  • Sem a vacina disponível, a prevenção depende de controle do vetor: coleiras impregnadas com deltametrina (4%), pipetas com piriproxifeno + permetrina e telas micrométricas em janelas e canis.
  • Cidades como Belo Horizonte, Campo Grande, Cuiabá, Araçatuba e Petrolina seguem em alerta epidemiológico — em áreas endêmicas, exame sorológico anual é mandatório, mesmo em cães assintomáticos.
  • Sintomas iniciais incluem perda de peso, descamação ao redor dos olhos, crescimento exagerado das unhas (onicogrifose) e feridas que não cicatrizam; ao notar sinais, procure veterinário imediatamente.

Por que a vacina contra leishmaniose ainda não voltou ao mercado?

Em maio de 2023, o MAPA suspendeu a fabricação, venda e uso da vacina Leish-Tec, da Ceva Saúde Animal, após fiscalização identificar lotes com teor de proteína A2 abaixo do mínimo licenciado — o que comprometia a eficácia imunológica e poderia gerar falsa sensação de proteção em cães vacinados. Em 2026, três anos depois, a vacina permanece fora do mercado brasileiro e não há comunicado oficial do MAPA sobre data de retomada.

Para que a Leish-Tec volte a ser comercializada, a fabricante precisa comprovar estabilidade do produto, eficácia clínica e os ajustes técnicos solicitados pelo Ministério. Enquanto isso, o Brasil — país com a maior carga de leishmaniose visceral das Américas, segundo o Ministério da Saúde — segue sem opção vacinal licenciada para cães, único reservatório doméstico do parasita Leishmania infantum.

A situação preocupa especialmente em áreas urbanas endêmicas de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo (oeste), Bahia e Pernambuco, onde o flebotomíneo Lutzomyia longipalpis (mosquito-palha) circula o ano todo. Em 2026, a vigilância epidemiológica do SUS continua registrando casos humanos com letalidade próxima de 7%, segundo dados do DataSUS.

Como proteger meu cachorro sem a vacina disponível?

A prevenção em 2026 se baseia em três frentes integradas: barreira física contra o vetor, repelentes de uso contínuo e monitoramento sorológico. Nenhuma medida isolada substitui a vacinação, mas a combinação reduz o risco de infecção em estudos brasileiros.

MedidaDetalhePeriodicidade
Coleira deltametrina 4%Protege contra a picada do mosquito-palhaTrocar a cada 4 a 6 meses
Pipeta permetrina + piriproxifenoAplicação tópica spot-onA cada 30 dias, conforme bula
Telas micrométricas (malha 0,3 mm)Janelas, canis e áreas de descanso do cãoInspeção mensal
Limpeza do quintalRemover matéria orgânica, folhas em decomposição e fezesSemanal
Sorologia anualELISA + teste rápido DPP em áreas endêmicas1x ao ano, ou semestral em regiões críticas
Repelente ambientalMosquiteiros e inseticidas piretroides residuaisConforme uso

A coleira impregnada com deltametrina 4% é considerada pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA, ex-OIE) uma das estratégias com melhor custo-benefício para reduzir transmissão em cães de áreas endêmicas, com proteção descrita entre 80% e 95% contra a picada do vetor em estudos publicados na revista PLOS Neglected Tropical Diseases.

Quando procurar um veterinário?

Procure atendimento veterinário imediatamente se observar:

  • Perda de peso progressiva sem mudança na dieta.
  • Descamação seca em focinho, ao redor dos olhos e pontas das orelhas.
  • Crescimento anormal das unhas (onicogrifose), sinal clássico em fase avançada.
  • Feridas (úlceras) que não cicatrizam, principalmente em focinho e orelhas.
  • Aumento de gânglios (linfonodos) submandibulares e poplíteos.
  • Apatia, perda de massa muscular e olhos fundos.

O diagnóstico definitivo é feito com testes sorológicos (DPP + ELISA, conforme protocolo do Ministério da Saúde) e, quando necessário, parasitológico em medula óssea ou linfonodo. O tratamento canino é permitido no Brasil desde 2016 com miltefosina (Milteforan), de uso exclusivo veterinário.

Em paralelo, mantenha o calendário de vacinação V10 em dia, já que filhotes imunossuprimidos respondem pior a qualquer infecção concomitante.

FAQ

A coleira de deltametrina serve para qualquer cão?

A maioria das coleiras é indicada para cães com mais de 7 semanas e peso mínimo de 1,5 kg. Filhotes muito pequenos, fêmeas gestantes e cães com lesões cutâneas no pescoço precisam de avaliação veterinária antes do uso.

Posso usar repelente humano no meu cachorro?

Não. Repelentes humanos com DEET ou icaridina podem ser tóxicos para cães. Use apenas produtos registrados no MAPA com bula veterinária.

Cão com leishmaniose pode transmitir para humanos por contato direto?

A transmissão entre cão e humano não ocorre pelo contato direto, lambida ou mordida. Ela depende sempre da picada do flebotomíneo (mosquito-palha), que pica primeiro um cão infectado e depois transmite o parasita ao humano.

O teste rápido DPP é suficiente para diagnóstico?

Não. O DPP é um teste de triagem; o diagnóstico oficial exige confirmação por ELISA, conforme nota técnica conjunta do Ministério da Saúde e MAPA. Em cães com clínica compatível mas sorologia inconclusiva, exames parasitológicos podem ser necessários.

Quanto custa proteger um cão por ano contra leishmaniose?

Em 2026, o investimento médio com 2 a 3 coleiras de deltametrina (R$ 180 a R$ 280 cada), pipetas mensais e sorologia anual fica entre R$ 900 e R$ 1.500 por ano — variando por região e porte do animal.

Fontes

D

Escrito por

Dra. Mariana Tessari

Cobertura esportiva com análise tática, contexto e dados.

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